sábado, 17 de outubro de 2015

Ponto de interrogação


 



Todos os brinquedos da sala do colégio do Francisco estavam limpos e arrumados nos lugares próprios. A casinha onde o João e a Luísa gostavam de imaginar que cozinhavam saborosos bolos e gelatinas, estava impecável, pois todos os brinquedos estavam no sítio certo.
A garagem que costumava ser ocupada pelo Afonso e pelo André, tinha todos os carrinhos lado a lado, como se estivessem num parque de estacionamento à espera de novas viagens e aventuras.
Na biblioteca os livros mantinham-se na estante todos juntos e aprumados. A Joana e a Sara gostavam de ficar sentadas a desfolhá-los e a imaginar histórias de princesas e castelos.
Os meninos estavam todos sentados no tapete a ouvir uma história que a educadora Diana estava a ler. Estavam com muita atenção. De repente entrou na sala um bichinho “saltitão” muito engraçado, que parecia um cabide de pendurar os casacos, mas ao contrário. No lugar dos pés tinha apenas uma pinta redonda que parecia uma roda.
Ficaram a pensar que seria uma espécie de palhaço do circo que se deslocava assim a deslizar como aquelas bicicletas só com uma roda que aparecem no circo e com que o trapezista brinca.
O João foi logo perguntar ao “saltitão” como se chamava, ao que ele responde muito sorridente e divertido:
-O meu nome é “Ponto de interrogação” e sou assim meio esquisito como vêem.
- E para que serves?
- Ora, toda a gente sabe que sirvo para fazer perguntas sobre as coisas, o mundo, as pessoas!
- Perguntas? Só fazes perguntas? – Falou a Joana.
- Sim! Só faço perguntas. E é uma canseira! Quando começo a fazer perguntas, nunca mais me calo. Até parece que tenho língua para falar! Blá blá blá!... Sempre que apareço é sinal que vou fazer perguntas!
- E perguntas o quê? – Falou a Luísa.
- Ora, pergunto: Como te chamas? Gostam de mim? Sou bonito? Porque é que não tenho braços nem pés? E porque é que sou diferente dos meninos? Assim eu sou perito em perguntar em questionar e olhem que pode ser muito divertido!
- Deve ser sim! – Disse a Luísa.
Então a educadora Diana aproveitou aquela entrada do saltitão, que se chamava “Ponto de interrogação”, para fazer um jogo com os meninos da sala.
Cada menino faria de conta que era o saltitão “Ponto de interrogação”  e iria pela sala a fazer perguntas aos brinquedos e também aos amigos que estavam sentados no tapete a ouvir a história.
Seria divertido escolher um objeto e trazê-lo para o tapete para que todos fizessem perguntas sobre ele.
 No final da história vamos iriam ver quem sabe o que é um Ponto de interrogação e para que serve.


Plano de trabalho:
- Leitura da história.
- Dramatização sobre o Ponto de interrogação:
  Jogo das perguntas

Objetivos:
Reconhecer o ponto de interrogação.
Saber para que serve o ponto de interrogação.
Aplicar o ponto de interrogação com a devida entoação.

Plano de discussão:

Os meninos escolheram alguns brinquedos existentes na sala para o jogo das perguntas:
1.     Dinossauro de borracha – Questões:
Porque é que este dinossauro tem chifres? (Gonçalo)
Queres vir comigo para casa? (Diogo)
Os dinossauros têm dentes? (Maria)
Porque é que têm garras? (Inês)
Porque têm uma cauda? (Diana)

2.      Escavadora - Questões resultantes:
Porque é que a escavadora tem uma coisa para escavar? (Gonçalo)
Porque é que a escavadora tem rodas? (Leonor José)

3.     Carro – Questões resultantes:
Porque é que o carro tem luzes? ( Gonçalo)
Porque é que os carros têm travões? (Diogo)




domingo, 11 de outubro de 2015

A árvore Camila


Havia no alto da serra uma árvore diferente de todas as outras. Chamava-se Camila. Os pinheiros que a rodeavam gozavam com ela porque quando chegava o Outono, as folhas ficavam amarelas e iam caindo no chão formando um tapete fofo, estaladiço e de cores quentes.
Ela triste dizia aos seus companheiros:
- Não entendo porque brincam comigo e me chamam nomes. Dizem que fico sem roupa e só se vê o meu esqueleto. Fico só com os troncos.
- Pois é. – Dizia o pinheiro Elias – Na Primavera estavas tão gira com flores brancas em todos os ramos e no Verão divertimo-nos muito quando uns meninos vieram colocar um balouço nos nossos braços e passaram o dia a balouçar-se.
- Foi divertido sim. – Respondeu a Camila. – E quando as meninas enfeitaram o cabelo com as minhas flores também gostei.
- Tu és diferente mas não deixas de ser muito bonita. Olha eu, pareço que nem tenho flores e as minhas folhas são estes picos. Costumam cortar-me quando chega a época de Natal para os humanos terem uma árvore a sério nesta época para enfeitarem as suas casas. Não gosto nada disso!
- Ainda não percebi muito bem porque as minhas folhas caem e fico despida e as tuas folhas permanecem durante todo o ano!
- Olha, tem a ver com a nossa natureza. Eu sou de folha persistente e tu és de folha caduca!
- O que quer dizer persistente?
- Quer dizer que tenho folhas durante todo o ano, mas tu não!
- E isso é mau?- perguntou a Camila.
- Não é mau. É só diferente! Não deixes que gozem contigo só por seres diferente!
- Eu sei… mas fico muito triste quando os outros pinheiros dizem coisas sobre mim, que sou fraca e estou a morrer.
- Nada disso! Tu estás apenas a armazenar energia durante o inverno para quando chegar a Primavera poderes ter essas flores brancas e lindas que tu tens! Até és uma árvore muito alegre nessa ocasião em que floresces em todos os ramos. Nós os pinheiros nunca mudamos. Estamos sempre iguais. Mas tu transformas-te conforme as estações do ano.
-Entendo. Agora é Outono e fico assim. O vento aparece agita-me os ramos e as minhas folhas amarelas tombam na terra. Estou triste. Tenho vontade de chorar.
- Não chores. – Responde o pinheiro Elias. – Sabes que os meninos costumam apanhar as tuas folhas do chão, secas e amarelecidas e fazem trabalhos muito bonitos nas escolas. Já os vi muito felizes e divertidos a apanhar as tuas folhas.
- Achas? Não sei… - Lamentou-se a Camila.
- Sim! Tu dás alegria e felicidade a muitas crianças, porque a cada estação tens sempre uma aparência nova. Com flores na Primavera, com folhas verdes no Verão, com folhas amarelas e castanhas no Outono e só com a elegância dos teus troncos no frio de Inverno. Parece que estás a dançar uma música especial e que ergues os teus braços ao céu. E as pessoas adoram!
- Percebo! Sermos diferentes não significa que sejamos maus. Temos apenas uma riqueza própria, singular, única!
- É mesmo! Por isso não te preocupes quando gozam contigo. Vão acabar por entender que a alegria partilhada está também na aceitação do que é diferente.
A Camila e o Elias ficaram bons amigos e continuaram as brincadeiras de se abanarem e brincarem com o vento, o que os divertia imenso.  


                                                      *********
Plano de trabalho:
    Definição de Filosofia – amigo do saber do conhecimento 

1.      Leitura da história
3.     Fazer perguntas sobre a história (assinalar os nomes das crianças que questionam)
4.     Dramatização das personagens

 .   Objetivos: Saber questionar, interrogar.
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Plano de discussão:

Porque é que as folhas do pinheiro não caem? (Beatriz Sousa)
Porque é que o pinheiro pica? (Caíque)
Porque razão as folhas da Camila caem? (Tiago)
A Camila ficou contente com os passarinhos? (Leonor)
Porque é que a Camila e o pinheiro Elias foram felizes? (João)
Porque é que a Camila ficou triste? (Diana)
Porque é que a Camila ficou sem roupa? (Caetano)
Podemos subir às árvores? (Gonçalo)
Porque é que as árvores foram amigas? Inês


sábado, 11 de abril de 2015

Liberdade

A menina Liberdade   - Leonor


Era uma vez uma menina que vivia no lugar mais alto da montanha. Ela vivia muito triste porque não tinha com quem brincar. Não havia crianças e os mais crescidos estavam sempre ocupados em atividades de adultos como trabalhar muito.
A menina não entendia esta situação. Mesmo quando queria ir brincar para a floresta junto a um lindo rio, os pais nunca a deixavam ir porque dizia-se que nadava por lá um monstro enorme que era muito perigoso. A menina tinha um nome especial que lhe tinha posto a avó. Era Liberdade em homenagem a outros tempos em que havia muitas crianças e brincadeiras com muitas risotas quando iam todos tomar banho ao rio da Alegria. Era assim que se chamava o rio.
O monstro Preconceito e a menina Liberdade  - Miguel Sá


Mas certo dia apareceu um monstro que se chamava Preconceito e as pessoas desde esse tempo começaram a não gostar uns dos outros e deixaram de se divertir. Uns não gostavam dos outros porque eram mais baixos ou tinham o nariz mais comprido e portanto eram considerados feios e foram afastados da povoação onde vivia a menina.
Na montanha onde antes viviam pessoas muito felizes, e repleta de luz, começou a ficar cada vez mais sombria. Até as árvores deixaram de crescer tal era a má vibração que existia no ar. As nuvens tinham-se zangado com as pessoas por elas terem permitido que o mostro Preconceito as manipulasse e assim só fazerem o que ele queria.
O mostro Preconceito de Tiago


 Mas a menina que se chamava Liberdade começou a fazer perguntas aos pais:
- Papá, porque é que no tempo da avó tudo era bonito com flores e árvores e agora tudo é feio?
O pai ficou sem responder tal era a tristeza e o desalento que o invadia e disse:
- Talvez tu saibas porque é que tudo ficou cinzento, triste e feio…
O monstro Preconceito de Manuel Fortes

- Foi por causa do monstro que destruiu a vontade das pessoas. Ficaram contaminadas com uma doença que o monstro trouxe, o preconceito, e depois deixaram de respeitar a opinião uns dos outros e quem não fosse igual levaram-nos para uma gruta muito escura e funda de onde não sabem sair. As nuvens e o sol ficaram muito desiludidos com as pessoas.
A sereia Amor de Margarida
A sereia Respeito da Maria

- Mas sabes que no rio também há sereias especiais, que se chamam Amor, Partilha e Respeito e elas de quando em vez vêm visitar-nos e põem bons os que estão doentes. Nestas alturas fazemos festas e dançamos todos juntos. Mesmo aqueles que têm um nariz maior ou os que pensam de forma diferente.
A menina que se chamava Liberdade começou a questionar-se sobre o que aconteceu aos que falavam  e pensavam de forma diferente e tinham ido para gruta escura e funda. Na sua cabeça não achava muito bem que vivessem assim às escuras.
A menina tinha feito umas caminhadas até ao rio e conversado com a sereia Amor. Tinham passado dias a chapinhar na água e nem vestígio do monstro Preconceito. Provável que ele tivesse ido para o abismo mais profundo do rio junto às cataratas gigantes.
A sereia Partilha também  tinha ensinado à menina que todos os seres têm direito à luz do sol e a darem largas à sua imaginação criando obras de arte interessantes, que fizessem evoluir o espírito humano em vez de o reprimirem.

A sereia Partilha de Carolina
Foi então que a menina sugeriu aos pais e a todos os que viviam no alto da montanha que era melhor libertar as pessoas que estavam na gruta.
A montanha de Gonçalo

Todos consideraram que estava na hora de fazer isso. Tinham sido muito infelizes desde que prenderam os que pensavam de forma diferente, pois já não havia festas nem brincadeiras. Assim seguiram a menina Liberdade até à gruta mais sombria. Colocaram uma corda para que eles pudessem subir.
Nesse dia fizeram uma grande festa. Estava todos muito contentes, mesmo não pensando da mesma maneira.
Havia por todo o lado narizes grandes e pequenos e pessoas gigantes e anões e começaram a aparecer as crianças que tinham estado meio adormecidas.
Desde aqui, nunca mais se ouviu falar do monstro do rio que se chamava Preconceito. As pessoas ficaram sempre atentas e nunca mais o deixaram regressar porque não queriam mais voltar para a gruta sombria onde nunca se via o sol. E nunca mais se esqueceram que esta estrela maravilhosa que nos ilumina é para todos!



sábado, 28 de março de 2015

O que dizem as árvores?

Desenho da Carolina


O João e os pais foram dar um passeio até à Serra. Adoravam a natureza e sempre que podiam, faziam caminhadas com destino ao lago mais próximo.

A mãe do João aproveitava a saída para aumentar a coleção de plantas para o seu herbário. Trazia sempre consigo um saco onde colocava algumas flores campestres que só nos montes existiam.

O João ficava sempre impressionado com o tamanho gigantesco das árvores, fossem pinheiros, eucaliptos e outros tipos, que se espalhavam pela Serra. Ficava a imaginar que podia subir lá acima, trepar pelo tronco enorme como se fosse um esquilo e depois de estar bem lá no alto, poder desfrutar da paisagem a perder de vista.
De Beatriz Viegas


Faziam os três a caminhada quando foram dar a uma clareira deserta.
- Papá, aqui não há árvores! – Diz o João surpreendido.
- Pois não João, porque os pinheiros que aqui estavam foram abatidos. Cortaram-nos! – Responde o pai.
- Porquê? – Interrogou o João.
- Porque há pessoas que necessitam da madeira para várias coisas como o fabrico de casas e móveis. – Explicou a mãe.
- É um sítio triste este… assim sem árvores…- Diz o João triste.
- Houve aqui um incêndio e queimou parte das árvores. – Explicou o pai.
David


A mãe do João resolve provocar-lhe o pensamento e pergunta:
- O que achas que as árvores nos estão a dizer João?
- Devem estar a gritar de sofrimento e a pedir que não as cortem nem as queimem…
- Estarão tristes porquê? – Desafiou o pai.
- Estão tristes porque as pessoas as tratam mal. Matam-nas!- responde o João.
- E ninguém gosta de ser maltratado, não é? - Interveio a mãe.
- Sabias que as árvores também crescem e respiram? – Perguntou o pai.
- Também respiram como nós? – Pergunta o João interessado.
- Sim, as plantas libertam oxigénio de dia e nós precisamos de oxigénio…
Manuel Chaves

- Isso é muito complicado papá. Quer dizer que são as plantas que nos dão o ar que respiramos?
- Claro. Sem as árvores e as florestas não podíamos viver. – Respondeu a mãe.
- Então não entendo por que razão as pessoas derrubam as árvores. – Diz o João.
- Porque ainda não tomaram consciência de que só é possível vivermos se respeitarmos as florestas. – Afirma o pai.
- Quando descobrirmos a sério que as árvores são importantes, em lugar de as cortarmos, vamos mas é plantar mais! – Acrescenta a mãe.
- Então as árvores devem estar a pedir que não as matem! – Responde de imediato o João.
- Escuta o som que as árvores fazem… - Chamou a atenção o pai.
- Estou a ouvir as folhas a tocarem umas nas outras porque o vento as empurra. E as árvores também se tocam lá no alto. Parece que dançam umas com as outras.
- Verdade! Todos os seres têm a sua forma de comunicarem. – Acrescentou a mãe. – Se as plantas não têm água ficam secas e morrem. Também precisam de água como todos os animais e como nós.
Miguel Sá


- Então as árvores devem estar a pedir aos rios e aos lagos para não secarem. Concluiu o João. – E os rios e os lagos estão a pedir às nuvens que não deixem de chover!
- E a chuva está a pedir ao sol para aquecer a Terra e dar luz para todos os seres que povoam as montanhas, porque sem a luz do sol ninguém pode viver. Ficaria sempre escuro. Seria sempre de noite e as árvores morriam com tanta tristeza. – Acrescentou o pai.
Rafael

- O que achas que as árvores estão a pedir às pessoas? – Perguntou a mãe.
- Pedem que as protejam e as respeitem…
-Exatamente João. – Respondeu o pai.
O que é que tu gostarias de dizer às árvores? – Questionou a mãe.
- Gostava de lhes dizer que não se preocupassem. Que as pessoas iriam gostar cada vez mais delas e iriam acarinha-las e abraçá-las e que nunca mais as iriam queimar nem cortar. Acho que as árvores ficariam muito felizes se soubessem isto.
- Acho que sim João. Acho que é isso que elas iriam gostar de ouvir. – Responde o pai.
Caique



Naquela tarde de Primavera o João voltou muito mais contente para casa com os pais. Tinham adorado o passeio e sentiam dentro de cada um, a certeza que as árvores iriam ser mais afortunadas no futuro, para bem de todos os seres humanos.  

Bruno


Exercício:

Se fosses uma árvore o que dizias?
- Não me cortem porque eu quero crescer!  
- Sou bonita e linda e não me façam mal!
- Deixem-me crescer senão não dou oxigénio para as pessoas!
- Não me queimem!

Se fosses uma árvore o que fazias?
 - Se fosse uma árvore conseguia andar e cumprimentar as pessoas.
- Se fosse uma árvore ajudava as pessoas e dava comida.
- Acabava com a fome.
-Ajudava os meninos e velhinhas e fazia um balouço para brincarem.
- Dava festinhas aos cães e dava abraços às pessoas e às outras pessoas más que cortam as árvores pisava-os.
- Maltratava os maus que cortam as árvores.

O que sentias se fosses uma árvore?
- Se fizessem uma fogueira comigo ia sentir-me muito triste.
- Ficava muito zangado se me incendiassem.
-Ficava zangado se me cortassem. Não gosto que me cortem.

O que queremos dizer às árvores?
- Algumas pessoas portam-se muito mal quando matam as árvores.
- Fujam para não serem cortadas nem queimadas.


A comunidade de investigação do B.E. - 4 e 5 anos





sábado, 28 de fevereiro de 2015

E se eu…


As gaivotas  de Manuel Fortes

A avó do Francisco sugeriu que fossem dar um passeio até à praia apesar de ser inverno. A avó adorava caminhar sobre a areia bem junto à água onde as ondas vinham tentar molhar-lhe os pés.
O Francisco também gostava de dar estes passeios pelo longo areal. Alguns pescadores lançavam a linha e esperavam pacientemente que algum peixe tocasse no anzol.

Por vezes a mãe do seu amigo Jacinto também vinha ter com eles e assim podia brincar com o amigo. O Jacinto levava sempre uma bola para jogarem.

As andorinhas do mar faziam o seu bailado, refletido ao longo da areia molhada. Saltitavam todas ao mesmo tempo e levantavam voo, como se os dois meninos a brincar as assustassem.

O Francisco naquela tarde de sol aproximou-se da avó e perguntou inquieto:
- Avó e se eu pudesse também voar? Não era bom, avó? Podia voar sobre a praia, pousar nas rochas e tornava a levantar voo sobre aqueles barcos lá ao longe!
A avó entusiasmada respondeu:
- Oh quem me dera poder voar! Seria muito giro. Eu voava até ao cimo das árvores e até à montanha.

As gaivotas pareciam ouvi-los porque vieram até junto deles como se ansiassem alguma comida. O Francisco insistiu na ideia de voar.
- Se eu fosse gaivota voava muito alto e podia ir até ao lago brincar com os patos.
 
O golfinho de Beatriz Rodrigues
O Jacinto interrompeu a conversa:
- Eu gostava de nadar no mar. Quero ser um golfinho! Se eu fosse um golfinho podia brincar com os outros seres do mar, como as baleias e os tubarões.
- Tenho medo dos tubarões. – Diz o Francisco – Gosto mais dos pombos, das águias, dos corvos porque esses voam.

A mãe do Jacinto sugeriu então que fizessem um jogo. E se cada um imaginasse que animal gostaria de ser e o que iria acontecer a cada um. Se voarmos o que podemos fazer? Se nadarmos no mar o que pode acontecer?
- E se fôssemos um avião? – Perguntou a avó do Francisco.
- Mas eu não quero ser um avião. O avião não tem pernas nem respira. – Respondeu o Francisco.
- Olha, mas há pessoas que também não têm uma perna ou um braço e continuam a ser pessoas. – Interveio a mãe do Jacinto.
- Mas não podem segurar tão bem nas coisas, nem correr pela praia. – Interferiu o Jacinto.
- Sem uma perna ficaria muito triste.-  Desabafou o Francisco.
A princesa de Margarida


A Mãe do Jacinto interrompeu dando um toque mais alegre à conversa.
- Eu quando era pequena gostava de ser princesa num castelo. Imaginava que ia andar a cavalo pelos campos e que tinha um amigo pónei.
- Se eu tivesse um pónei ia brincar com ele todos os dias e íamos passear no campo ou numa quinta. – Disse o Francisco.

Aquele jogo do “E se eu tivesse… e se eu fosse…” era muito engraçado porque podiam dar largas à sua imaginação.

- E se os meninos não comessem fruta?- Provocou a mãe do Jacinto.
- Não podíamos crescer! – Prontificou-se o Jacinto a responder.
- Também não tínhamos energia para jogar à bola. – Disse o Francisco.
- E ficávamos doentes se não comêssemos fruta! – Acrescentou a avó do Francisco.

Ficaram todos muito animados e resolveram fazer uma corrida até à rocha mais próxima.

Chegaram todos ao mesmo tempo e ficaram a rir-se da brincadeira.

A mãe do Jacinto disse que tinham de repetir aqueles passeios pela praia porque eram muito divertidos. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Carnaval

Capitão América de Manuel Fortes


Era dia de carnaval e todos os anos a família da Patrícia ia até à cidade mais próxima para assistir ao corso do carnaval. Ficavam contentes sempre que viam o desfile com máscaras, personagens conhecidas e dançarinos que se agitavam ao ritmo da música dos tambores que eram um convite à participação na grande festa da alegria e do entusiasmo.

A Patrícia não entendia muito bem a razão de alguns mascarados meterem medo. Adorava os palhaços mas ficava horrorizada com umas carantonhas muito feias que assustavam os mais pequenos.

Princesa Elsa

Príncipe    de Manuel Chaves   


O pai da Patrícia e a mãe também entravam no desfile. O pai ia mascarado de pirata e a mãe gostava de se mascarar de Branca de Neve. A Patrícia estava vestida de Joaninha. A avó alinhava na brincadeira e vestiu-se de bruxa má com um grande nariz com uma verruga e um chapéu preto enorme. Não se esqueceu de levar consigo uma comprida vassoura voadora. O avô olhava para todos eles e ria-se. Tinha escolhido ser o Super- homem naquele dia e sentia-se o mais poderoso de todos.

Princesa Ariel


Na última sexta-feira, a Patrícia tinha levado o seu fato de Joaninha para o infantário enquanto os seus amigos iam vestidos com outras máscaras, como princesas, piratas, homem-aranha, abelhas, bailarinas e polícias. Tinham feito um lanchinho na escola e depois de se divertirem entre balões de todas as cores e serpentinas, com música mexida para dançarem, foram premiados com sumos e bolos e bolachas e outras guloseimas.
Princesa Bela  de  Leonor Almeida

Princesa Elsa   de Margarida Batista


A Patrícia adora sempre esta data festiva do carnaval. Todos se divertiam e riam à gargalhada. Os avós, os papás e a Patrícia. Eram uma família muito unida e alegre.

 
Urso  de Gonçalo Santos

Pirata Jake
 Como houve sempre o hábito das pessoas se pintarem ou utilizarem máscaras, ninguém iria saber quem seria o mais brincalhão. Estas festividades serviam para dar largas à imaginação e quem sabe pregar partidas aos amigos.
Capitão América de Caique

Pirata Jake de David

As festividades do carnaval apareceram há muito tempo atrás e serviam sempre para as pessoas se divertirem e fazerem atividades fora do normal do seu dia-a-dia. Podiam fazer todas as brincadeiras que não eram possíveis fazer durante o resto do ano.    
Rapunzel de Beatriz Rodrigues

Dragão   de Manuel Sá
 São festividades para rir, distrair, transmitir alegria e dançar. Também servem para criticar o que está menos bom na nossa sociedade. 
Branca de Neve  de Beatriz Coelho

Tartaruga Ninja  de Miguel Sá
É por isso que alguns cortejos têm grandes bonecos parecidos com os políticos, onde se escrevem também as opiniões das pessoas acerca dos governantes. Costuma-se dizer que “no carnaval ninguém vai levar a mal” e assim podemos ser brincalhões e foliões.


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Real e não real





A Matilde adorava ir passar os fins-de-semana com a avó Luísa porque cada vez que visitava a avó podia brincar no quintal e também com o Tareco, o gato. O Tareco era um gatinho muito meigo e gostava das festinhas da Matilde, mas também era muito brincalhão. Corria sempre atrás de uma bola de borracha. Por vezes a Matilde escondia a bola entre as roseiras e o Tareco lá ia busca-la para a trazer de novo para junto da Matilde.

Na hora do lanche a avó tinha feito um bolo de chocolate muito bom. Enquanto se deliciava com o lanche, a Matilde reparou num centro de mesa feito de flores muito bonito.
- Avó, que flores são estas? – Perguntou a Matilde apontando.
- São margaridas brancas, mas se olhares com mais atenção elas não são reais.
- Não são reais?- Admirou-se a Matilde
- Não. São flores a fingir. São falsas.
- Mas são iguais àquelas que estão no mercado e que a avó costuma comprar. Às vezes é complicado sabermos o que é real e o que é falso. – Concluiu a Matilde.
- É verdade! Às vezes são tão semelhantes que não distinguimos. - Respondeu a avó.

Então a Matilde lembrou-se que tinha umas frutas de plástico, que a avó lhe dera para brincar. Eram maçãs, peras, laranjas, bananas. Eram tão macias que pareciam mesmo a sério. Até ficava com vontade de as comer. Adorava brincar com aqueles brinquedos que eram frutas de “faz de conta”.

A avó comentou então que havia histórias que não correspondiam à realidade. Eram apenas histórias inventadas por determinado autor com muita imaginação.
- Achas que a história do lobo mau é verdadeira? – Perguntou a avó.
- Não… - Respondeu timidamente a Matilde.
- E a história dos três porquinhos?
- Também não.
- Então já vês que há coisas reais e outras que não são reais mas são criadas pela nossa fantasia.

Matilde refletiu sobre esta questão da realidade e da invenção, de coisas que podemos tocar e de coisas que não existem.
Mesmo assim ainda considerou que estava um pouco confusa.

A Avó Luísa prometeu-lhe então que iriam continuar a falar sobre este assunto até a Matilde entender melhor.




Exercício:
Determinar as fronteiras entre os conceitos de real e não real.

Estratégia: São distribuídos cartões que representam objectos, animais, pessoas. Cada criança apresenta razões para considerar ser ou não real o que vem representado no cartão.

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- Os dinossauros não existem agora. Só existiram há muito tempo.  M. Chaves
- O capuchinho vermelho não é real porque é apenas uma história.
- Os animais existem e são reais porque podemos vê-los nas quintas. M. Fortes
- As árvores existem e são reais porque podemos tocar nelas. Carolina

- A fada mágica dos dentes deixa sempre um presente. M. Chaves
- Os carros são reais porque nos transportamos neles para a escola. Tiago
- O sol e as estrelas existem. O sol é real porque se vê de dia e a lua é real porque se vê de noite. Maria
- O avião é real porque nos transporta em viagens. Margarida
- O elefante voador não existe porque os elefantes reais não voam. Gabriel
- Os peixinhos são reais porque já os vi no mar. Gonçalo
- Os barcos são reais porque existem no mar. David

- A Cinderela não existe na realidade, é só uma menina mascarada. Maria
- A família é real porque somos amigos e a mãe gosta de mim. Bruno
- O sol existe porque vive ao pé do planeta e está à frente do céu e conseguimos ver. Miguel
- O homem-aranha não existe porque só aparece nas histórias.

Comunidade de investigação do B.E.  de quatro e cinco anos